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Saiba tudo sobre a escoliose

A Escoliose é definida como uma deformidade tridimensional da coluna vertebral,  que envolve os 3 planos: frontal com a lateralização da coluna, sagital com a lordotização (Flat Back) e horizontal com a rotação das vertebras.
Vinte por cento dos casos (20%)  advêm de causas conhecidas como neurológicas ou discrepância de membros e 80% são idiopáticas (causa desconhecida).

Escoliose - o que é

Recomendações para o tratamento da escoliose

De 11 a 20 graus de ângulo de Cobb: fisioterapia com exercícios específicos.

De 21 a 50 graus de ângulo de Cobb: uso do colete juntamente com a fisioterapia específica.

Acima de 51 graus de ângulo de Cobb: encaminhar para o cirurgião de coluna avaliar a necessidade de tratamento cirúrgico.

Sempre deve ser levado em consideração o fator de progressão da curva (idade do paciente, ângulo de Cobb, índice de Risser) para a melhor decisão do tratamento. Por exemplo, um paciente com 11 anos, 30 graus de Cobb e Risser 1 tem muita chance de evoluir com aumento da escoliose (piora do quadro). já outro com 17 anos, 18 graus de Cobb e Risser 5, tem pouquíssimas chances de piora da escoliose. Ou seja, cada caso é único e deve ser avaliado como tal.

Quais as causas da escoliose?

De acordo com a Sociedade de Pesquisa em Escoliose (Scoliosis Research Society – SRS), é denominada de escoliose a curvatura lateral da coluna com ângulo de Cobb medido em uma radiografia anteroposterior do paciente em ortostatismo (em pé), maior que 10 graus, ou seja, até 10 graus a inclinação da coluna vertebral é considerada somente como uma inclinação, e não como escoliose.

Várias podem ser as causas das escolioses:

  • Origens neurológicas e neuromusculares (paralisia cerebral, poliomielite, distrofia muscular, neurofibromatose);
  • Origens em desordens do tecido conectivo (Síndrome de Ehlers-Danlos e Síndrome de Marfan);
  • Origens musculoesqueléticas (displasia do quadril, discrepância do comprimento dos membros inferiores, osteogênese imperfeita);
  • Desordens congênitas (defeito da forma e do segmento vertebral, hemivértebra).
  • Porém, a mais comum é a chamada Idiopática, ou seja, sem causa definida.

A chamada Escoliose Idiopática do Adolescente (EIA) ainda é, portanto, de causa desconhecida.

Existem diversas teorias (neurológica, hormonal, biomecânica e genética), mas nada confirmado ainda.

A escoliose idiopática do adolescente é considerada uma doença multifatorial com fatores de predisposição genética.

Melhor colete para escoliose

Qual o melhor colete?

Uma revisão sistemática publicada em 2016 analisou artigos publicados na Plataforma Cochrane. Essa análise mostrou que 76% dos pacientes melhoraram com os coletes assimétricos do tipo Rigo Cheneau (Os chamados 3D e que são os mais conhecidos aqui no Brasil) contra de 28% (Boston) a 63% (Lyon) nos simétricos.

Vale lembrar que a melhora dos pacientes depende tanto da tecnologia utilizada no colete quanto da adesão do paciente.

Veja abaixo os Coletes Rigo Chaneau (3D), Coletes de Boston e Coletes de Lyon, respectivamente:

Outro artigo interessante sobre o uso dos coletes, em adolescentes com curvas entre 40 e 60 graus de Cobb publicado pela Sociedade de Pesquisa em Escoliose em 2020, pesquisou 100 indivíduos com 11 anos em média, dos quais 66% tinham Risser 0, e os resultados foram:

  • 42% não tiveram que operar,
  • 85% das crianças eram do sexo feminino,
  • Os coletes utilizados foram 94% Boston e 6% Rigo Cheneau,
  • Concluiu-se que o colete é mais eficaz em curvas de até 40 graus.
Exercícios específicos para a escoliose

Exercícios específicos para a escoliose reduzem a possibilidade de uso do colete?

É o que questionou também esse artigo da ISICO (Italian Scientific Spine Intitute), com 74 pacientes, com média de 12 anos de idade e Cobb de 15 graus, divididos em 2 grupos: 1 grupo fez a fisioterapia específica utilizando o método SEAS, e o grupo 2 fez a fisioterapia convencional.

Os resultados foram:

  • Grupo de exercícios específicos 23% melhoraram o COBB e 9% melhoraram a rotação do tronco;
  • Grupo da fisioterapia convencional 11% melhoraram o COBB e 2% melhoraram a rotação do tronco.
  • Dos coletes prescritos, 81% foram para o grupo da fisio convencional e 19% para o grupo da fisio específica.
Qual é a eficácia dos exercícios específicos mais o uso do colete

Qual é a eficácia dos exercícios específicos mais o uso do colete?

Este artigo científico publicado pela Musculoskeletal Disorders, com setenta e três pacientes (60 mulheres), idade de 12 anos em média, 34,4 (± 4,4) graus de Cobb, que satisfizeram os critérios (incluídos de um total de 3.883 pacientes na primeira avaliação).

Os coletes foram usados de 18 a 23h por dia, e os exercícios feitos foram os específicos. Observação interessante: até Risser 3, o colete foi utilizado pelo menos 18h por dia. acima desse Risser iriam reduzindo 2h a cada 6 meses.

Resultados:

  • 52,3% dos pacientes melhoraram,
  • 9,6% dos pacientes pioraram,
  • 1 paciente evoluiu além de 45° de Cobb e foi operado.

Um ponto chave confirmado por este estudo é o fato de que pacientes com EIA (escoliose idiopática do adolescente) tratados adequadamente podem melhorar, e não apenas evitar a progressão.

A SOSORT – Sociedade Internacional de Tratamento Ortopédico e Reabilitação da Escoliose

Em 2004, em Barcelona, foi criada uma sociedade especifica para tratar de assuntos sobre escoliose, constituída por fisiatras, ortopedistas, clínicos, cirurgiões de coluna, fisioterapeutas, psicólogos, ortesistas e pacientes, que promove anualmente reuniões em diversos países da Europa e América do Norte com o objetivo de apresentar e discutir tratamentos conservadores da escoliose e outras patologias da coluna vertebral. Essa sociedade é chamada SOSORT.

Abaixo, algumas recomendações da SOSORT – (International Society on Scoliosis Orthopaedic and Reabilitation Treatment):

  • Recomenda-se não fazer uso do colete em indivíduos escolióticos com curvas abaixo de 15° ± 5° Cobb a não ser com indicação precisa de um especialista;
  • O colete é recomendado para tratar pacientes com curvas acima de 20° ± 5° Cobb, ainda em crescimento (Risser 0 a 3), e com progressão demonstrada da deformidade ou risco elevado de agravamento;
  • Recomenda-se que o tempo de uso da órtese seja gradualmente reduzido, durante a realização de exercícios estabilizadores, para permitir a adaptação do sistema postural e a manutenção dos resultados;
  • Recomenda-se que a qualidade da órtese seja verificada por meio de um raio-X;
  • Recomenda-se que o colete seja especificamente projetado para o tipo de curva a ser tratada;
  • Recomenda-se que os coletes sejam usados até o final do crescimento ósseo vertebral e, em seguida, o tempo de uso é gradualmente reduzido;
  • Os exercícios fisioterapêuticos específicos para a escoliose (PSSE) são recomendados como o primeiro passo para o tratamento da escoliose idiopática para prevenir/limitar a progressão da deformidade;
  • Recomenda-se que os exercícios fisioterapêuticos específicos para a escoliose (PSSE) sigam as orientações da SOSORT e sejam baseados em autocorreção tridimensional, treinamento em AVD, estabilização da postura corrigida e educação do paciente;
  • Recomenda-se que os exercícios fisioterapêuticos específicos da escoliose sejam individualizados de acordo com as necessidades do paciente, padrão de curva e fase de tratamento;
  • Recomenda-se que a dificuldade de exercícios específicos da escoliose fisioterapêutica seja progressivamente aumentada de acordo com a capacidade do paciente;
  • Recomenda-se que a terapia manual (mobilização, técnicas de liberação miofascial ou outros) seja proposta somente se associada a PSSE (os exercícios específicos);
  • Recomenda-se que o esporte não seja prescrito como tratamento para a escoliose idiopática;
  • Recomenda-se que as atividades esportivas gerais sejam realizadas devido aos benefícios específicos que elas oferecem aos pacientes em termos de bem-estar psicológico, neuromotor e orgânico geral.

 No Tratamento Conservador Exercícios Específicos para Escoliose Idiopática do Adolescente a Sosort propõe:

  1. Autocorreção em 3D
  2. Treinamento de atividades de vida diária (AVDs)
  3. Estabilização da correção postural
  4. Educação do paciente

De forma geral, os objetivos com os PSSE (exercícios específicos para escoliose) são:

  1. Ganhar flexibilidade
  2. Favorecer a redução da curva
  3. Desacelerar a evolução da curva
  4. Reequilibrar a musculatura paravertebral
  5. Efetuar uma reeducação neuromuscular
  6. Criar automatismos subsequentes
  7. Oferecer meios de manutenção
  8. Integrar a correção postural

Em nosso consultório oferecemos atendimento de fisioterapia específica para escoliose e seguimos as recomendações da SOSORT.