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Hipermobilidade Articular é o termo utilizado para uma característica que boa parte da população tem de articulações com amplitude de movimento maior que a considerada normal.

Esta característica pode existir por si só, ou fazer parte de um diagnóstico com efeitos significativos que precisam ser tratados e gerenciados.

Ela pode ser localizada em algumas poucas articulações ou generalizada. A classificação é feita através do exame físico e de escalas específicas.

Quais as causas?

Geralmente, se trata de uma característica que já nasce com a pessoa, de cunho hereditário, quando a formação do tecido conjuntivo* no corpo destas pessoas tem uma resistência diferente, que deixa essas estruturas menos resistentes (ou mais frouxas) que o normal. 

*Tecido conjuntivo: tecido responsável pela constituição de ligamentos e tendões, entre outras diversas partes corporais.

Dependendo do grau da hipermobilidade, que pode ser muito leve ou muito grave, esses pacientes têm maiores chances de quadros de dor crônica e fadiga após pequenos e médios esforços.

Quando procurar um profissional especialista no assunto?

Em caso de histórico de:

• Luxações

• Entorses

• Dor crônica

• Pessoa considerada desastrada ou estabanada porque vive derrubando objetos ou batendo sem querer o corpo em quinas

Escoliose (desvio da coluna)

• Hiperlordose lombar (aumento da curvatura na parte mais baixa das costas)

• Hipercifose torácica (corcunda)

• Pés chatos

Todas estas características podem estar relacionadas a um quadro de hipermobilidade articular mais grave.

Os profissionais especialistas podem ser o fisioterapeuta, o reumatologista ou o algologista (médico da dor).

Como avaliar?

Além das características acima, existem escalas que são utilizadas como triagem para a possibilidade da pessoa ser ou não considerada ‘”hipermóvel” (que tem Hipermobilidade Articular). A mais utilizada é a Escala de Beighton. Veja abaixo como ela é aplicada:

• Com a palma da mão e o antebraço apoiados em uma superfície e com o cotovelo dobrado a 90 graus, puxar o dedinho para trás e verificar se o movimento passa de 90 graus. Se sim, considerar um ponto para cada dedinho;

• Com o braço estendido para frente e a mão voltada para o chão, puxar o polegar em direção ao punho com a outra mão e verificar se chega a encostar no antebraço. Se sim, considerar um ponto para cada polegar que encostar;

• Com os braços abertos e a palma das mãos viradas para fora, verificar se os cotovelos fazem uma curva de mais de 10 graus para cima. Se sim, considerar um ponto para cada cotovelo;

• Em pé, esticar bem os joelhos e verificar se eles se mostram mais estendidos que a posição reta em 10 graus. Se sim, considerar um ponto para cada joelho;

• Com as pernas juntas e os joelhos esticados, inclinar o tronco para frente e verificar se as palmas das mãos encostam no chão. Se sim, considerar um ponto.

Segundo o Score de Beighton, são considerados hipermóveis os seguintes casos:

• 6 ou mais pontos para as crianças e adolescentes antes da puberdade;

• 5 ou mais pontos para homens e mulheres após a puberdade e com menos de 50 anos de idade;

• 4 ou mais pontos para homens e mulheres com 50 anos de idade ou mais.

Embora seja muito utilizada, esta é apenas uma das diversas escalas de triagem. Outras articulações que não foram contempladas neste score podem sofrer de hipermobilidade, como já citado acima. Os casos mais comuns são: pés chatos, escoliose (desvio tridimensional da coluna vertebral), hiperlordose lombar etc.

Tratamento Fisioterapêutico

A Fisioterapia é considerada o pilar mais importante no tratamento da Hipermobilidade Articular, seja na reabilitação daqueles que já têm lesões ou dor crônica, seja na prevenção.

O tratamento fisioterapêutico deve contemplar:

• Fortalecimento da musculatura estabilizadora das regiões afetadas;

• Exercícios de propriocepção – equilíbrio e habilidade articular;

• Educação em dor – orientações que ajudem o paciente a entender o que é a dor e como lidar com ela;

• Técnicas de proteção articular para os casos mais graves – com o objetivo de prevenir a reincidência de luxações e demais lesões.

Como sempre, enfatizo a autonomia do paciente, de forma que ele tenha controle de seu corpo e o utilize na mais plena forma, sem depender dos terapeutas.

Principais exercícios iniciais

Se você se identifica com as características da hipermobilidade articular, seguem abaixo exercícios iniciais para você fazer em casa. 

1. Subir e descer na ponta dos pés 20x.

2. Se equilibrar numa almofada ou disco inflável sobre um pé só por 20 segundos. Repetir 3x cada pé.

3. Encostado na parede, sentar-se numa cadeira “imaginária” e contar até 10. Repetir 3x com intervalos de 30 segundos.

4. Deitado com as pernas dobradas, subir e descer o quadril 10x. descansar por 30 segundos e repetir 2x.

Lembrando que nada disso substitui a avaliação de um profissional de saúde. Caso o diagnóstico seja confirmado, um tratamento personalizado deve ser traçado.

A Hipermobilidade Assintomática é uma característica boa ou ruim?

Ela tem seus prós e contras.

Pode ser uma grande vantagem em algumas modalidades esportivas e culturais, como apresentações circenses, ballet clássico profissional, ginástica artística e ginástica rítmica. Ou seja, atividades que exigem grande flexibilidade do praticante.

Por outro lado, esses indivíduos sempre podem ter maior risco de lesões ortopédicas.

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Até o próximo texto!